
O final de semana foi tomado de notícias – em tempo real ou quase – que acompanharam os bastidores do mais importante festival do Brasil.
Os comentários nas redes, a cobertura da TV e notícias em blogs criaram uma percepção de que estamos diante de algo “histórico”, como o início das Diretas Já, a época dos grandes festivais da MPB ou mesmo uma prévia do que vai ser a próxima Copa do Mundo (Made In Brasil).
Independente da qualidade dos shows ou problemas de produção, o Rock in Rio já atingiu o seu objetivo: mobilizou o Brasil, de norte a sul do país, sendo um sucesso absoluto de vendas de ingressos e cotas de patrocínio.
Mas afinal, qual o segredo do sucesso? Sua direção artística? A força da marca? O aquecimento e cobertura dos principais veículos das organizações Globo? Os investimentos dos patrocinadores? Ou simplesmente a sorte de acontecer na hora certa, no local certo?
Em minha opinião, todos os fatores – uns menos e outros mais, como a atual influência das redes sociais – contribuem para o case. Mas uma variável talvez seja a mais importante: a habilidade dos organizadores do evento em saber contar uma boa história.
Storytelling: uma das principais tendências em marketing

Você já ouviu falar em storytelling, certo? A tradução, “contar histórias”, faz parte de uma tradição que nos acompanha desde os ancestrais mais antigos. É através da história que nos situamos diante de um contexto. E foi também graças aos contadores de histórias que transmitimos conhecimentos e experiências.
Você pode esquecer de um fato ou de uma informação isolada. Mas dificilmente esquece uma boa história. A indústria do cinema é um exemplo óbvio, mas também poderíamos citar o sucesso de livros biográficos (ou contos de fada, carregados de lições moralistas), programas do tipo “behind the fame” ou cases de produtos inovadores como o Ipod, Iphone e Ipad, santíssima trindade de um dos maiores “contadores de história” dos tempos atuais, Steve Jobs.
Hoje em dia, muitas empresas procuram contar histórias de seus produtos como forma de estabelecer um vínculo emocional ainda mais presente entre marcas e clientes. Os produtos da tradicional Granado Pharmácias, os Sucos do Bem, a cerveja Bohemia ou mesmo o coletivo de crowfunding Queremos são bons exemplos de marcas cujas histórias estão diretamente ligadas aos seus resultados financeiros.
O Rock in Rio entra neste rol. Sua primeira edição aconteceu logo após a abertura econômica do país. Um período de euforia pós-ditadora militar, um modelo de evento que reuniu, pela 1a vez no país, uma constelação de artistas internacionais e a nata do recém-explodido rock nacional. A mobilização da primeira edição do festival também se deu numa época onde não havia celulares, internets ou canais de TV por assinatura. Eram poucos veículos de comunicação de massa, a informação era massificada e centralizada, não se discutia outro assunto (até porque, desde o início, as Organizações Globo estavam lá ajudando a criar esta história de sucesso).
A família Medina, cujo patriarca é um publicitário de mão cheia, acertou na mosca. O Rock in Rio não ganhou um Leão de Ouro em Cannes. Não foi o primeiro sutiã. Nem a garotinha da praia de Sundown. Mas fez um país inteiro cantar junto seu single. Uma trilha que até hoje persiste, um clássico que na sua 1a edição vinha encartado em discos de vinil de 7 polegadas vendidos em parceria com supermercados como as Casas da Banha, e que foi repetido exaustivamente pela TV Globo, rádios e anúncios da marca. Isto sem falar no slogan que resume-se tanto pela essência quanto pela intenção: “Eu vou!” (e o que não está escrito: “…e se você não vai, vai ter que me ouvir falar sobre isto durante anos a fio até você se sentir mal por não ter ir”).
Enfim, o Rock in Rio, como o conto clássico das Mil e Uma Noites, é uma história ainda longe de acabar. E cada capítulo que passa, aumenta ainda mais a curiosidade pelas cenas dos próximos capítulos. Nós torcemos para um final feliz. E você?
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