
Nestas férias conheci o Lovebox, festival que acontece anualmente em Londres e que reuniu nomes como Snoop Dogg, Scissor Sisters, Blondie, Metronomy, Marc Almond, Kelys, Santigold, Beth Ditto, 2ManyDjs, Shit Robot, Azari & III, Art Department entre outras dezenas de atrações do mundo pop e eletrônico.
As lembranças do final de semana são muitas e inesquecíveis. Mas, como bem disse o amigo Alain Patrick em seu review para o Detroit Electronic Music Festival deste ano, “Gostaria de deixar claro de que não existe a cobertura de um festival, e sim, uma cobertura. É impossível estar em todas as pistas ao mesmo tempo durante todos os dias do evento.”
Assim, não vou entrar no mérito do “show mais legal” ou do “DJ set que mais impressionou”. Ao invés, prefiro destacar as lições que podemos aprender com os britânicos.
1 – De dia é melhor

O Lovebox começava diariamente às 14h e terminava por volta da meia-noite. É MUITO bacana ir num festival e ver a galera de cara limpa, dançando pela tarde, com looks de verão. A sensação de dormir cedo e estar preparado para a maratona de shows no dia seguinte não tem preço. Outro aspecto positivo: famílias com crianças assistindo aos shows.
2 – Logística lado-a-lado dos órgãos publicos
Na estação do metrô, policiais indicavam o caminho para o festival. Nem precisava, todas as ruas estavam muito bem sinalizadas. Na volta, pela noite, uma faixa de isolamento na rua era dedicada ao público. Quanto ao transporte público, nem se fala: opções de ônibus e metrô durante todo o festival. Quando a iniciativa privada se une à pública, tudo parece funcionar. Pelo menos lá, funciona.
3 – Invista nos nichos

Assisti a DJ sets e shows de artistas consagrados em pistas vazias. Mico? Muito pelo contrário! Os artistas continuavam dando o melhor de si. Em alguns momentos, parecia que se sentiam mais a vontade, brincavam com a galera, eram momentos “íntimos”. Investir em artistas conceituais e de vanguarda não só confere prestígio às marcas como gera fidelidade. Já escutei muitos empresários e produtor de eventos dizer que o artista só vale quanto ele leva de público. Aí é que se descobre a diferença de quem merece respeito para quem acha que admiração se compra.
4 – Música não é tudo

O Lovebox tinha lojinhas de merchandising, brechós (muitos!), tendas vintage que vendiam “chás, bolos e café da vovó”, uma roda gigante absurda (!), carrinhos bate-bate, carrossel do amor, cabines de fotos 3X4 e uma praça de alimentação com comidas para TODOS os gostos (até um stand de comida Caribenhas encontrei). Ok, os shows são realmente importantes, mas em 10 horas de festival, ninguém fica realmente prestando atenção na música o tempo todo, né?
5 – Detalhes que fazem a diferença

- Os horários do line-up somente eram divulgados no dia anterior. Isto fazia com que as pessoas chegassem cedo (além de gerar muitos acessos para o site e redes sociais do festival).
- Merchandising inteligente. Que tal um copo com a marca do festival, que você podia carregar pelas pistas e encher com os vendedores ambulantes? Ação sustentável, prática e um ótimo souvenir.

- Ninguém podia “estacionar” no balcão dos bares. Difícil de explicar, mas a logística de acesso era justamente para as pessoas comprarem a(s) bebida(s), pegarem e saírem. Os seguranças “gentilmente” pediam para as pessoas saírem para dar espaço para outras.
- Caixas eletrônicos estrategicamente posicionados para sacarmos mais dinheiro.
- Decoração simples, colorida e impactante. Os brinquedos de parque de diversão pela noite eram um show à parte.
- Os banheiros masculinos havia mictórios abertos para ninguém ter que esperar aquele sujeito que se tranca na cabine por horas.
Produtores nacionais: observem e aprendam. Ao invés de exportar modelos prontos (Sónar, Ultra, Lollapalooza), porque não investir na criação de nossos próprios festivais com as dicas dos gringos? Estamos aqui na torcida!

Ps: Não resisti. O show do Snoop Dogg foi “o melhor”, o novo live do 2ManyDjs é de cair o queixo e o DJ set do Art Department, inesquecível. Pronto!
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