#contentmoves: Rio Music Conference virou pauta na Forbes

Na pista: Rio Music Conference saiu na Forbes

Com uma chamada de “Forget The Bossa Nova, Brazil Is Now The Country Of Electronic Music” (“Esqueça a Bossa Nova, o Brasil é agora o país da Música Eletrônica” – tradução livre), o site da Forbes mostra a tendência que nosso país começa a se moldar: grandes festivais de música estão de olho por aqui e  o momento é certo para isso. /leia+

5 livros essenciais para DJs (e não-DJs)

Segunda-feira cinza e fria… Ótimo tempinho para tomar um café e curtir um bom livro.

Pegando uma carona no #musicmonday, fiz uma seleção de cinco livros essenciais sobre o universo da música de pista.

1 – Last Night a DJ Saved My Life (Frank Broughton e Bill Brewster - somente em inglês)

Um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Os jornalistas (e DJs) ingleses publicaram esta obra-prima sobre a DJ culture em 1999. É o mais completo livro sobre a história do DJ, uma extensa pesquisa que mostra o início da carreira desde a época das primeiras transmissões de rádio até o momento que ele assume a figura de popstar. Acima de tudo uma fonte riquíssima de consulta para qualquer pesquisador musical, com direito a um anexo incluindo as músicas mais “bombadas” em clubes como o Hacienda, Paradise Garage, Studio 54 entre outros (saiba mais).

2 – Altered State: The Story of Ecstasy Culture and Acid House (Matthew Collin e John Godfrey – somente em inglês)

Este livro conta em detalhes como a Inglaterra deu origem à explosão da cena de acid house e a cultura rave. E como ela chegou a um “fim”… É uma viagem através das décadas de 80 e 90, que mostra como a cena eletrônica saiu do underground para conquistar o mundo através de mega-festas, mega-clubes e DJs superstars. O livro também é cheio de histórias curiosas, como a tentativa do autor de mostrar como os Hooligans ingleses se tornaram mais “pacíficos” depois de conhecerem o ecstasy. Qualquer semelhança com os pitbulls do Brasil não é mera coincidência (saiba mais)

3 – Babado Forte (Erika Palomino)

A jornalista paulista escreveu a primeira publicação sobre a cultura clubber paulistana e carioca dos anos 80 e 90. O livro hoje só é encontrado no Mercado Livre e em sebos virtuais. Vale a busca. É um relato curioso sobre como surgiram gírias da noite, seus personagens, modas e hits clássicos das pistas. Também o resgate de uma época onde tudo era glamour, luxo e novidade, mas ao mesmo tempo tão diferente dos dias de hoje que nem parece ter acontecido há tão pouco tempo.

4 – Todo DJ Já Sambou (Claudia Assef)

Embora não tão extenso ou rico em detalhes como Last Night A DJ Saved My Life, este livro é um dos mais importantes sobre a cultura DJ no Brasil (senão “o” mais). Não a toa, o próprio Bill Brewster escreveu o prefácio da 3ª edição do livro que esteve um ano esgotado fora das livrarias. A obra conta a história da profissão desde quando ela surgiu no país até os dias de hoje, com direito a depoimentos de gente que ainda está na ativa (e menções muito honrosas àqueles que estão fazendo a alegria das pistas do céu). Um must-have para qualquer DJ, produtor, promoter ou empresário da noite.

5 – DJ Marlboro na Terra do Funk (Suzana Macedo)

Poderia falar do importantíssimo Mundo Funk Carioca, dissertação de mestrado do antropólogo Hermano Vianna e obra prima sobre o tema. Mas ainda não encontrei este livro para venda (por tabela, não consegui ainda ler). Encontrei este livro-revista – de autoria de uma socióloga e publicado pela Prefeitura do Rio (?) – em um sebo. Entrou na lista pois a obra é, na verdade, um tratado sobre a vida e carreira de um dos DJs mais famosos do país, o pai do funk carioca DJ Marlboro. Dos discos e produtores lançados, festas produzidas e programas de rádio, é um livro referência para qualquer DJ ou profissional das pistas, independente do estilo.

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Se você tiver alguma sugestão, deixa seu comentário! Dica boa é dica trocada :)

5 lições para aprender com o Lovebox Festival


Nestas férias conheci o Lovebox, festival que acontece anualmente em Londres e que reuniu nomes como Snoop Dogg, Scissor Sisters, Blondie, Metronomy, Marc Almond, Kelys, Santigold, Beth Ditto, 2ManyDjs, Shit Robot, Azari & III, Art Department entre outras dezenas de atrações do mundo pop e eletrônico.

As lembranças do final de semana são muitas e inesquecíveis. Mas, como bem disse o amigo Alain Patrick em seu review para o Detroit Electronic Music Festival deste ano, “Gostaria de deixar claro de que não existe a cobertura de um festival, e sim, uma cobertura. É impossível estar em todas as pistas ao mesmo tempo durante todos os dias do evento.”

Assim, não vou entrar no mérito do “show mais legal” ou do “DJ set que mais impressionou”. Ao invés, prefiro destacar as lições que podemos aprender com os britânicos.

1 – De dia é melhor

O Lovebox começava diariamente às 14h e terminava por volta da meia-noite. É MUITO bacana ir num festival e ver a galera de cara limpa, dançando pela tarde, com looks de verão. A sensação de dormir cedo e estar preparado para a maratona de shows no dia seguinte não tem preço. Outro aspecto positivo: famílias com crianças assistindo aos shows.

2 – Logística lado-a-lado dos órgãos publicos

Na estação do metrô, policiais indicavam o caminho para o festival. Nem precisava, todas as ruas estavam muito bem sinalizadas. Na volta, pela noite, uma faixa de isolamento na rua era dedicada ao público. Quanto ao transporte público, nem se fala: opções de ônibus e metrô durante todo o festival. Quando a iniciativa privada se une à pública, tudo parece funcionar. Pelo menos lá, funciona.

3 – Invista nos nichos

Assisti a DJ sets e shows de artistas consagrados em pistas vazias. Mico? Muito pelo contrário! Os artistas continuavam dando o melhor de si. Em alguns momentos, parecia que se sentiam mais a vontade, brincavam com a galera, eram momentos “íntimos”. Investir em artistas conceituais e de vanguarda não só confere prestígio às marcas como gera fidelidade. Já escutei muitos empresários e produtor de eventos dizer que o artista só vale quanto ele leva de público. Aí é que se descobre a diferença de quem merece respeito para quem acha que admiração se compra.

4 – Música não é tudo


O Lovebox tinha lojinhas de merchandising, brechós (muitos!), tendas vintage que vendiam “chás, bolos e café da vovó”, uma roda gigante absurda (!), carrinhos bate-bate, carrossel do amor, cabines de fotos 3X4 e uma praça de alimentação com comidas para TODOS os gostos (até um stand de comida Caribenhas encontrei). Ok, os shows são realmente importantes, mas em 10 horas de festival, ninguém fica realmente prestando atenção na música o tempo todo, né?

5 – Detalhes que fazem a diferença


-       Os horários do line-up somente eram divulgados no dia anterior. Isto fazia com que as pessoas chegassem cedo (além de gerar muitos acessos para o site e redes sociais do festival).

-       Merchandising inteligente. Que tal um copo com a marca do festival, que você podia carregar pelas pistas e encher com os vendedores ambulantes? Ação sustentável, prática e um ótimo souvenir.

-       Ninguém podia “estacionar” no balcão dos bares. Difícil de explicar, mas a logística de acesso era justamente para as pessoas comprarem a(s) bebida(s), pegarem e saírem. Os seguranças “gentilmente” pediam para as pessoas saírem para dar espaço para outras.

-       Caixas eletrônicos estrategicamente posicionados para sacarmos mais dinheiro.

-       Decoração simples, colorida e impactante. Os brinquedos de parque de diversão pela noite eram um show à parte.

-       Os banheiros masculinos havia mictórios abertos para ninguém ter que esperar aquele sujeito que se tranca na cabine por horas.

Produtores nacionais: observem e aprendam. Ao invés de exportar modelos prontos (Sónar, Ultra, Lollapalooza), porque não investir na criação de nossos próprios festivais com as dicas dos gringos? Estamos aqui na torcida!

Ps: Não resisti. O show do Snoop Dogg foi “o melhor”, o novo live do 2ManyDjs é de cair o queixo e o DJ set do Art Department, inesquecível. Pronto!

Alô Geração Eletrônica: se você não foi, leia!

Fato: os debates que rolaram ontem a noite na mostra Geração Eletrônica foram acima de todas as expectativas.

Quem foi, saiu satisfeito. Quem não foi, perdeu a oportunidade de conhecer pontos de vista interessantes, além de aprender um pouco mais sobre quem vive da – e na – noite no Rio.

Promessas de novos clubes, depoimentos nostálgicos e vizinhas irritantes foram alguns dos assuntos discutidos nos dois debates. Abaixo, o review.

18:30 – A Visão e Opinião do Público Sobre a Noite Carioca


André Câmara (Party Busters) conduziu um descontraído e interessante bate-papo com três frequentadores da noite.

Elogios ao Fosfobox e reclamações sobre má estrutura de locais como a Pista 3 ou Casa da Matriz para receber festas de música eletrônica (soundsystem de baixa qualidade) foram unanimidade.  A falta de clubes ou festas com atrações internacionais de perfil underground também.

Destaque para Rafael Ourives, que soltou a voz reclamando da falta de educação e interesse das pessoas pela música e da falta de festas “como antigamente” que apostavam em respeitados nomes da música eletrônica underground como a Delírio (que trouxe Green Velvet, Ricardo Villallobos e Rich Hawtin, Louis Osbourne, Derrick Carter entre outros) ea Expresso (The Hacker, Miss Kittin, David Carreta, Laurent Garnier etc).

Reclamaram também da ausência do Lounge 69, das festas Discoland e Supershuffle e, apesar de sempre elogiada, pediram por mais edições da Moo, única festa do Rio que continua investindo em atrações internacionais de vanguarda.

20:30 – A Economia e os Desafios da Cena Eletrônica Carioca


Tive o prazer de mediar o debates de três “heróis da resistência” da cena eletrônica carioca: Beto Pedroza (Dr. Smith e Emociona), Cabbet Araújo (Bunker e Fosfobox) e Claudio da Rocha (Lounge 69 e 00).

Segundos os empresários, variáveis econômicas (alto custos das atrações versus capacidade de seus espaços), geográficas (falta de locais na Zona Sul e “isolamento” da Barra) e legais (associação de moradores e falta de incentivos pelo governo, secretaria de cultura e turismo) são as principais barreiras para a evolução da cena eletrônica na cidade.

Destaca-se também a falta de reconhecimento da imprensa tradicional pela música eletrônica (os próprios produtores do Geração Eletrônica exporam como vem sendo dificil emplacar qualquer nota da mostra nos jornais da cidade) e , numa mea culpa dos participantes,  a ausência de uma iniciativa em conjunto para apresentar aos órgãos públicos uma revisão das leis do setor da economia da noite.

O debate foi recheado de histórias engraçadas como as de Cabbet Araújo revelando que saía direto da Marinha para trocar de roupa no banheiro do Dr. Smith, memórias do início da cena open air carioca, críticas ácidas aos cachês abusivos de não-DJs (e elogios sinceros ao DJ André Marques) ou comentários debochados com a falta de credibilidade do jornal O Globo ao eleger o Bailinho como “a melhor festa do Rio”.

Também rolou uma comoção quando Cabbet contou sua história de vida, relembrou os tempos da Bunker (e da Bunker Rave) e mostrou seu lado engajado pela luta social com um projeto que busca resgatar jovens carentes através da música eletrônica (mais infos aqui). Cabbet também revelou que abrirá dois novos clubes na cidade, um no Morro dos Tabajaras e outro no centro da cidade.

Para os saudosos do Lounge 69, Claudio da Rocha Miranda prometeu abrir um clube novo ainda neste ano no Rio. Também disse que o Chemical Music Festival está “em pausa” (se acontecer algo neste ano, será em dezembro). Por fim, afirmou que a pista alternativa do Rio Music Conference, que trouxe neste ano nomes como Trentemoller, Dave Clarke, dOP e Dubfire, continuará firme e forte em 2012.

No balanço das contas, ficou uma sensação de que existe ainda uma luz no final do túnel para a geração eletrônica. Otimismo e a sensação de que não estamos sozinhos.

Agora é pagar pra ver. Quer dizer, cobrar pra ver, afinal, promessa é dívida, hein, produtores?

Exposição Geração Eletrônica discute hoje a cena carioca

Hoje a noite, a partir das 20h, o Oi Futuro de Ipanema abrirá as portas de seu auditório para uma mesa redonda que discutirá os rumos da cena eletrônica no Rio de Janeiro.

A entrada é franca e a iniciativa é liderada pela produção da mostra Geração Eletrônica, que começou há pouco menos de um mês no mesmo local e que conta com um registro da cultura clubber (e raver) através de uma bela exposição de sets, fotos e vídeos de artistas convidados.

Participarão da mesa os empresários da noite Cabbet Araújo (Fosfobox, Bunker), Roberto Pedroza (Dr. Smith, Emociona, Request) e Claudio Da Rocha Miranda Filho (Directa, Rio Music Conference, Chemical Music Festival). Para mediar as opiniões e discussões, o blogueiro que vos escreve este post.

Se você atua ou tem interesse em atuar de forma profissional na cena eletrônica, participe! Pode ser uma boa oportunidade para troca de cartões… no mínimo, você vai sair conhecendo melhor os desafios e dificuldades de uma cena em constante transformação.

Mais informações, clique aqui.