Fato: os debates que rolaram ontem a noite na mostra Geração Eletrônica foram acima de todas as expectativas.
Quem foi, saiu satisfeito. Quem não foi, perdeu a oportunidade de conhecer pontos de vista interessantes, além de aprender um pouco mais sobre quem vive da – e na – noite no Rio.
Promessas de novos clubes, depoimentos nostálgicos e vizinhas irritantes foram alguns dos assuntos discutidos nos dois debates. Abaixo, o review.
18:30 – A Visão e Opinião do Público Sobre a Noite Carioca

André Câmara (Party Busters) conduziu um descontraído e interessante bate-papo com três frequentadores da noite.
Elogios ao Fosfobox e reclamações sobre má estrutura de locais como a Pista 3 ou Casa da Matriz para receber festas de música eletrônica (soundsystem de baixa qualidade) foram unanimidade. A falta de clubes ou festas com atrações internacionais de perfil underground também.
Destaque para Rafael Ourives, que soltou a voz reclamando da falta de educação e interesse das pessoas pela música e da falta de festas “como antigamente” que apostavam em respeitados nomes da música eletrônica underground como a Delírio (que trouxe Green Velvet, Ricardo Villallobos e Rich Hawtin, Louis Osbourne, Derrick Carter entre outros) ea Expresso (The Hacker, Miss Kittin, David Carreta, Laurent Garnier etc).
Reclamaram também da ausência do Lounge 69, das festas Discoland e Supershuffle e, apesar de sempre elogiada, pediram por mais edições da Moo, única festa do Rio que continua investindo em atrações internacionais de vanguarda.
20:30 – A Economia e os Desafios da Cena Eletrônica Carioca

Tive o prazer de mediar o debates de três “heróis da resistência” da cena eletrônica carioca: Beto Pedroza (Dr. Smith e Emociona), Cabbet Araújo (Bunker e Fosfobox) e Claudio da Rocha (Lounge 69 e 00).
Segundos os empresários, variáveis econômicas (alto custos das atrações versus capacidade de seus espaços), geográficas (falta de locais na Zona Sul e “isolamento” da Barra) e legais (associação de moradores e falta de incentivos pelo governo, secretaria de cultura e turismo) são as principais barreiras para a evolução da cena eletrônica na cidade.
Destaca-se também a falta de reconhecimento da imprensa tradicional pela música eletrônica (os próprios produtores do Geração Eletrônica exporam como vem sendo dificil emplacar qualquer nota da mostra nos jornais da cidade) e , numa mea culpa dos participantes, a ausência de uma iniciativa em conjunto para apresentar aos órgãos públicos uma revisão das leis do setor da economia da noite.
O debate foi recheado de histórias engraçadas como as de Cabbet Araújo revelando que saía direto da Marinha para trocar de roupa no banheiro do Dr. Smith, memórias do início da cena open air carioca, críticas ácidas aos cachês abusivos de não-DJs (e elogios sinceros ao DJ André Marques) ou comentários debochados com a falta de credibilidade do jornal O Globo ao eleger o Bailinho como “a melhor festa do Rio”.
Também rolou uma comoção quando Cabbet contou sua história de vida, relembrou os tempos da Bunker (e da Bunker Rave) e mostrou seu lado engajado pela luta social com um projeto que busca resgatar jovens carentes através da música eletrônica (mais infos aqui). Cabbet também revelou que abrirá dois novos clubes na cidade, um no Morro dos Tabajaras e outro no centro da cidade.
Para os saudosos do Lounge 69, Claudio da Rocha Miranda prometeu abrir um clube novo ainda neste ano no Rio. Também disse que o Chemical Music Festival está “em pausa” (se acontecer algo neste ano, será em dezembro). Por fim, afirmou que a pista alternativa do Rio Music Conference, que trouxe neste ano nomes como Trentemoller, Dave Clarke, dOP e Dubfire, continuará firme e forte em 2012.
No balanço das contas, ficou uma sensação de que existe ainda uma luz no final do túnel para a geração eletrônica. Otimismo e a sensação de que não estamos sozinhos.
Agora é pagar pra ver. Quer dizer, cobrar pra ver, afinal, promessa é dívida, hein, produtores?
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